terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

SONETO DE ONAN - JOSÉ RÉGIO


Chegando nu, cantei. Cantei, é certo,
Minha nudez ansiosa e lastimável.
Fez-se, em redor de mim, terror, deserto...
Que uma nudez assim é pouco amável.

"Esta gente esperava-me encoberto",
(Pensei) "mas eu nunca soube ser afável...",
E então vagueei cantando, em meu deserto,
Minha nudez ansiosa e lastimável.

Só, vagabundo, assim desci mais fundo:
Na Torre de Babel da minha ermida,
Já vivo mais do que a minha própria vida!

Já, repelido, em vós me continuo...
Sim!, só a mim me entrego e me possuo,
Porque eu me busco para achar o mundo!



fONTE:http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=131

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