Em uma folha solta, encontrada na sua casa, com letra apressada e emendas, José Régio fez estes versos dedicados ao pai, falecido em 24.04.1957, versos depois incluídos em "Colheita da Tarde" :Foste simples, banal,
Bom, com defeitos, jovial,
E tão pegado à vida,
Que ainda, velho, velho, a não podias crer vivida.
Viveste para as coisas deste mundo,
Que seria melhor
Se o pudesses fazer conforme o teu humor.
Não é por ser teu filho que sou triste,
Demoníaco, angélico, diferente,
Descontente, nevrótico, perverso.
Mas se algo, em mim, resiste
De humildemente humano,
Amigo de viver conforme vai
Vivendo a gente consoante o ano...
A ti o devo, pai !
A ti o devo, se nasci.
E a ti o devo, se inda não morri.
Fonte: http://www.rancho-da-praca.com/jose_regio/jose_regio.htm
Nenhum comentário:
Postar um comentário